5. COMPORTAMENTO 12.9.12

1. O JACQUES COUSTEAU BRASILEIRO
2. ESTUDANTES AMEAADOS DE DEPORTAO
3. O PROMOTOR ASSUME O COMANDO
4. O brasileiro que venceu o mito 
5. A VIDA EM LIBERDADE
6. GENTE

1. O JACQUES COUSTEAU BRASILEIRO

O documentarista Lawrence Wahba comemora 20 anos de carreira dedicados ao registro da vida selvagem e estreia srie no canal NatGeo
Natlia Martino

SEM ROTINA -  Wahba: horas de cmera em punho na mesma posio,  espera dos animais
 
Foi o francs Jacques Yves-Cousteau quem, na dcada de 1940, ajudou a criar o aqualung, equipamento que tornou possvel o mergulho autnomo. O invento contribuiu para transform-lo em celebridade mundial por conta das dezenas de documentrios sobre a vida submarina que produziu. Cousteau morreu em 1997 e deixou um legado importante para as novas geraes. Quando criana, eu sabia de cor duas coisas: a escalao do meu time de futebol e a da equipe do Cousteau, conta o documentarista brasileiro Lawrence Wahba, que decidiu seguir a trilha do grande mestre, como se refere ao francs. Em 2012, Wahba comemora 20 anos de carreira com o lanamento, em 15 de setembro, de uma srie indita no canal a cabo NatGeo, Reino Animal: Dirios de Lawrence Wahba. O que marcou o incio da sua carreira, segundo ele, foi uma expedio pelas trs Amricas com amigos, na qual produziu imagens e as cedeu para emissoras de televiso para divulgao dos patrocinadores. Para mim, no passava de uma viagem sem custos, diverte-se Wahba.
 
A brincadeira ficou sria em 1995, quando ele vendeu o carro e pegou emprstimos para uma volta ao mundo com o objetivo de documentar tubares em todos os oceanos. Viajou por cinco meses sozinho e voltou com imagens de mais de 40 espcies. Uma semana depois da chegada, o documentrio estava vendido e todas as despesas que tive foram cobertas. Foi quando percebi que poderia viver daquilo, diz. Desde ento, Wahba dedicou a vida a registrar imagens do mundo selvagem em todos os continentes. J filmou animais raros, como os ces selvagens africanos, e ganhou prmios em importantes festivais, como o Antibes, mais reconhecida premiao de imagens subaquticas do mundo.
 
Wahba dedicou quase nove dos ltimos 20 anos a viagens. Um trabalho dos sonhos para muita gente. Mas a maioria no aguentaria nem um dia da minha vida, acredita o documentarista, que j passou dez dias em alto-mar em busca da baleia-franca, sem acesso a nenhum meio de comunicao, com constante cheiro de peixe podre, vestido o tempo todo com roupa de mergulho,  espera do animal sob o calor extremo. Nas viagens, acordo s 4 horas para comear a arrumar os equipamentos e trabalho at tarde da noite. s vezes so horas na mesma posio, em silncio, aguardando um animal, conta. Isso, claro, sem contar as adversidades do clima, os mosquitos, os perigos da vida selvagem. Motivao para continuar, contudo, no lhe falta. Quero despertar nas pessoas o desejo de proteger esses lugares e esses animais extraordinrios, resume.


2. ESTUDANTES AMEAADOS DE DEPORTAO

Acusada de irregularidades na aceitao de alunos estrangeiros, universidade inglesa tem licena para emitir vistos cassada e 35 alunos brasileiros podem ser obrigados a voltar para o Pas
Joo Loes, de Londres 

NAS RUAS - Protesto na quarta-feira 5 contra a deciso de proibir a emisso de vistos para estrangeiros
 
A estudante baiana Camila Alvarez, 25 anos, saiu do Brasil confiante. Aprovada pela London Metropolitan University (LMU), ela embarcou para a Inglaterra em 24 de junho sabendo que ao chegar teria tempo suficiente para se familiarizar com a cidade e quem sabe at encontrar um apartamento antes de mergulhar na to sonhada ps-graduao em marketing estratgico. A viagem, o estudo e a vida na Inglaterra eram a realizao de um sonho. Sempre quis estudar fora e juntava dinheiro h trs anos para isso, diz ela. Como todo estrangeiro, Camila pagou adiantado 12,3 mil libras, o equivalente a R$ 39 mil, pelos 15 meses de aula previstos, e investiu outros R$ 20 mil nos preparativos da viagem. De incio, tudo correu como o esperado. Camila encontrou um apartamento para dividir com dois ingleses, apaixonou-se pela Londres olmpica e, no final de julho, comeou a ps-graduao. Com visto regularizado junto  United Kingdom Border Patrol (UKBA), rgo que regulamenta a entrada e sada de imigrantes no pas, ela tinha garantida a estada legal na Inglaterra durante o curso. Mas na manh do domingo 26 de agosto tudo mudou.
 
Na capa do jornal Sunday Times estava estampada a manchete informando que, em at dez dias, a UKBA determinaria a revogao do direito da LMU de emitir vistos para alunos de fora da Unio Europeia, bem como a cassao dos documentos j emitidos. Quatro dias depois a notcia se confirmou. Uma investigao do governo concluiu que a instituio aceitava alunos sem visto, estudantes que no falavam ingls e detectou que o controle de presena nas aulas era bastante falho. Um prazo foi concedido para que a universidade regularizasse a situao, o que no ocorreu. Com isso, todos os vistos emitidos para os 2,7 mil no europeus, dos quais 35 brasileiros, perdem a validade at dezembro. Para evitar a deportao, os alunos tm 60 dias para conseguir transferncia para outra instituio de ensino.
 
A deciso, sem precedentes do governo ingls, est causando polmica. Na quarta-feira 5, um protesto pedindo a reverso da cassao dos vistos contou com mais de 300 pessoas e quase acabou em pancadaria. Em piquete na porta do Home Office, espcie de Ministrio da Justia ingls, os manifestantes empunhavam cartazes com dizeres como Anistia j! Salvem a London Met e lideranas faziam discursos inflamados. Faremos barricadas e ocupaes para no deixar que as autoridades removam os alunos estrangeiros, disse Max Campbell, presidente da University and College Union, o sindicato que rene o maior nmero de trabalhadores do ensino superior no Reino Unido. A deciso de expulsar alunos  ruim para a cultura, a educao e a economia do pas, acredita.

Acima, Camila Alvarez, que investiu R$ 60 mil na viagem, e Daniel Figueira (abaixo), que est de licena para fazer MBA: s transferncia impede deportao

Segundo estimativas das universidades, alunos estrangeiros gastam, em mdia, 5 bilhes de libras, ou R$ 16,2 bilhes anualmente para bancar estudos, estadia e vida no Reino Unido. E at 2025 o valor pode at triplicar. S o Brasil, por exemplo, pretende mandar dez mil dos 100 mil bolsistas do programa federal Cincia sem Fronteiras para a Inglaterra. No acho certo reduzir o estudante ao que ele investe no pas, diz Diego Scardone, presidente da Associao de Brasileiros Estudantes de Ps-Graduao e Pesquisadores na Gr-Bretanha (Abep-UK). Mas o argumento da arrecadao em potencial desse mercado costuma ter ressonncia.
 
A maioria dos estudantes afetados pela deciso, porm, no parece convencida de que haver argumento, a essa altura, que far o governo voltar atrs. A LMU move uma ao contra a UKBA pedindo a reviso do caso, mas, como os prazos estabelecidos pela deciso so curtos, pouco deve mudar at o incio de dezembro, quando comeam as deportaes. Achei um absurdo o que aconteceu, afirma Daniel Figueira, 27 anos, matriculado no MBA da LMU. Daniel est de licena no remunerada da multinacional em que trabalha no Brasil e tem emprego garantido ao voltar, por isso est mais tranquilo. Mas confio numa soluo favorvel aos alunos para o problema, aposta.


3. O PROMOTOR ASSUME O COMANDO

Aps a comprovao, revelada por ISTO, de que um homem ajudou Elize a esquartejar o marido, Ministrio Pblico vai solicitar a abertura de novas investigaes
Antonio Carlos Prado

 "O laudo de DNA  perfeito, e sempre trabalhei com a hiptese de que Elize no fez tudo sozinha" - Jos Carlos Cosenzo, promotor de Justia
 
A abertura de novo inqurito para investigar o esquartejamento do empresrio Marcos Matsunaga, ex-diretor-executivo da Yoki, ser solicitada pelo promotor de Justia Jos Carlos Cosenzo. Ele tomou essa deciso na segunda-feira 3, aps ISTO revelar com exclusividade, em sua ltima edio, que pelo menos um homem ajudou Elize Arajo Matsunaga a cortar o corpo do marido que ela assassinara com um tiro na cabea poucas horas antes, no apartamento do casal. A concluso faz parte de um laudo de DNA elaborado pelo laboratrio de biologia e bioqumica da Polcia Tcnico-Cientfica de So Paulo. Na semana passada, logo depois de revelado o contedo desse laudo, a defesa de Elize procurou desqualificar o trabalho da percia alegando que o sangue encontrado no quarto onde o cadver do empresrio foi dilacerado seria antigo. A tese no se sustenta. O exame de DNA, feito pela polcia cientfica,  claro ao provar que o sangue obtido no local  contemporneo ao momento do esquartejamento. O laudo de DNA  perfeito, diz o promotor Cosenzo.

REVELAO - Na edio da semana passada, com base em exames de DNA feitos pela Polcia Cientfica e aos quais ISTO teve acesso com exclusividade, ficou demonstrada a participao de outra pessoa, alm de Elize, no esquartejamento do corpo de Marcos Matsunaga
 
Antes do incio do novo inqurito, que no paralisar o processo j em andamento sobre o assassinato, Cosenzo pedir alguns esclarecimentos aos peritos que trabalharam no caso. Ele quer saber, por exemplo, se no laboratrio de DNA existe ainda disponibilidade de sangue colhido no apartamento dos Matsunaga para a realizao de possveis provas comparativas  ou seja, comparar o DNA encontrado nas amostras de sangue coletadas no apartamento com o sangue de eventuais suspeitos. Temos no laboratrio sangue armazenado e est  disposio da Justia, disse  ISTO na tera-feira 4 a diretora do laboratrio de DNA e responsvel por sua implantao, professora-doutora Eloisa Auler Bittencourt. Tambm sero requisitadas ao Departamento de Homicdios e Proteo  Pessoa (DHPP), que investiga o caso, todas as fitas do sistema de segurana do edifcio  no apenas as imagens do dia do crime, mas as gravaes dos dias que o antecederam e dos dias posteriores. Isso porque o DHPP garante que ningum suspeito entrou no apartamento ou saiu dele. Ocorre, porm, que determinadas reas de acesso no edifcio, como garagem e escadarias, no eram monitoradas por cmeras  poca do crime. Sempre trabalhei com a hiptese de que Elize no fez tudo sozinha, diz o promotor.


4. O brasileiro que venceu o mito 

Ao desbancar Oscar Pistorius, o velocista Alan Fonteles cala o Estdio Olmpico e mostra ter condies de disputar os Jogos regulares
Joo Loes, de Londres

 NA ESPORTIVA - Pistorius ( dir.) alegou que Fonteles ( esq.) estava usando prteses irregulares. Mas depois voltou atrs e reconheceu a justa vitria
 
At sete anos atrs, o paraense Alan Fonteles, 20 anos, corria com as prteses de madeira que usava para caminhar. Vtima de uma infeco generalizada aos 21 dias de vida, o jovem nascido em Marab teve as duas pernas amputadas ainda beb. Aos nove meses colocou sua primeira prtese, a nica comprada pela famlia humilde  todas as outras foram adquiridas por meio do Sistema nico de Sade (SUS). O garoto que fez fisioterapia para aprender a andar at os 3 anos entrou para o mundo das corridas aos 8, por meio de um projeto de iniciao esportiva ligado ao governo do Par. Por cinco anos, sangrou ao correr com suas prteses de madeira pelas pistas de atletismo e s foi incorporado  equipe permanente paralmpica no fim do ano passado. Em sua primeira paralimpada, desbancou um mito, o velocista sul-africano Oscar Pistorius, e calou as 80 mil pessoas presentes ao Estdio Olmpico de Londres no domingo 2 de setembro. Primeiro atleta sem as duas pernas a competir em uma Olimpada e tido como homem mais rpido do mundo em sua categoria, a T44, Pistorius perdeu para o brasileiro na sua prova de estreia, os 200 metros rasos.
 
Imediatamente aps a prova, Pistorius sugeriu que a prtese de Fonteles lhe daria alguns centmetros a mais de altura e, portanto, uma vantagem injusta durante a prova. O brasileiro, que tem Pistorius como dolo, no se acanhou e respondeu que pelas regras do Comit Internacional Paralmpico ele ainda estaria trs centmetros abaixo da altura mxima autorizada, de 1,85 metro. Essa polmica  do Pistorius, no  minha, afirmou. Mais tarde, o dolo sul-africano admitiu a justa vitria do atleta brasileiro, mais um paralmpico com potencial para competir nos jogos regulares. Agora no penso nisso, disse. Quero continuar fazendo histria em Londres, competir como atleta paralmpico no Rio, em 2016, e s depois decidir alguma mudana.

Se a tecnologia das prteses continuar evoluindo nessa velocidade, Alan no s pode competir, como fez Pistorius nos Jogos de Londres, mas obter resultados expressivos. Seu tempo na vitria dos 200 metros rasos na categoria T44, 21,45s, foi 1,33s menor que de Bruno Barros, brasileiro que conseguiu melhor tempo nessa prova na Olimpada. So diferenas que, com anos de treinamento e equipamento constantemente evoluindo, podem ser reduzidas. At l, vale acompanhar todas as provas do fenmeno paraense.


5. A VIDA EM LIBERDADE

Cultos evanglicos, visita a parentes e medo do crime organizado: como tem sido a rotina de Cabo Bruno, lder do mais famoso grupo de extermnio da dcada de 1980 em So Paulo, aps 27 anos de priso
Flvio Costa, de Taubat (SP)

 RECOMEO - Cabo Bruno, ao lado da mulher, Dayse, na quinta-feira 30, durante culto evanglico, o primeiro registro aps a sada da priso. No detalhe, em 1998

Na noite fria da quinta-feira 30 de agosto, o culto na Igreja Pentecostal Refgio em Cristo reunia pouco mais de 30 pessoas, a maioria mulheres e crianas, acomodadas nas cadeiras de plstico do templo localizado ao lado de um terreno baldio no bairro da Fonte Imaculada, em Taubat  cidade distante 130 quilmetros de So Paulo. De cala social e jaqueto, o rosto vincado por rugas, um homem grisalho permanece sentado na parte direita do plpito com os olhos fechados. At que algum o chama para pregar.
 
De fala cadenciada e dico escorreita, ele conta parbolas, cita, sem olhar a Bblia  sua frente, versculos inteiros do Evangelho e se permite uma confisso: a alegria de ter feito, pela primeira vez em sete anos de relacionamento, as compras de supermercado com a mulher, a pastora e cantora gospel Dayse Frana, 46 anos. Tal confidncia descortina o passado do orador. Faz apenas sete dias que Florisvaldo de Oliveira, 53 anos, conhecido como Cabo Bruno, deixou a priso, aps 27 anos de crcere.
 
As palavras do atual missionrio so diametralmente opostas, em contedo e tom, s proferidas por ele em 1984, quando liderava um grupo de extermnio na zona sul da capital paulista.  poca, foragido da Justia, Cabo Bruno disse para as lentes de uma emissora de televiso: No comeo, eu contava as pessoas que matava. Mas parei no 33 e acabei perdendo a conta. Acho que j passei de 50 mortes. Contando com a benemerncia de comerciantes da regio e sob o pretexto de combater o mal, o ex-policial militar personificou, como nenhum outro antes ou depois dele, a PM que mata, sem nenhuma possibilidade de defesa, os supostos criminosos. Ficaram clebres as execues comandadas por ele, que trafegava pela periferia paulista em carros escuros, a exemplo da chacina em uma pequena oficina de mveis, onde seis jovens foram assassinados a tiros. Por esse crime, foi condenado a 43 anos.

EXTERMNIO - Cabo Bruno disse que parou de contar na 33 morte. Mas foram mais de 50, admitiu
 
Nos primeiros dias em liberdade, Cabo Bruno saiu pouco da casa alugada por sua mulher em Pindamonhangaba  cidade vizinha a Taubat , que divide tambm com os trs enteados. Visitou amigos com os quais deixou pertences em Pindamonhangaba e Taubat, frequentou trs cultos evanglicos, conheceu parentes da esposa e foi a uma agncia bancria. As histrias do passado como policial militar ele se limitou a contar a um dos enteados, sob o olhar incrdulo da pastora Dayse Frana, cujo nome civil  Dayse Silva de Oliveira. Eu no conheci o passado dele. Para mim no existe Cabo Bruno, e sim o pastor, afirma. O casal se conheceu h sete anos, quando a missionria foi realizar trabalho comunitrio na priso onde Cabo Bruno cumpria pena. O casamento completou quatro anos e, durante todo esse perodo, os dois se viam uma vez por semana, durante as visitas. Estamos convivendo pela primeira vez, ainda em lua de mel, diz Dayse, que fundou uma filial da Refgio em Cristo, no final de 2010. A Igreja Pentecostal tem matriz no Rio de Janeiro.
 
Cabo Bruno no admite, mas est com medo. ISTO apurou que uma eventual morte dele  considerada um trofu valioso pelos lderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), a principal organizao criminosa do Estado. Sempre vai haver essa possibilidade (de vingana) e a gente tenta evitar se expor ao mximo por causa disso. Eu no posso ficar s escondido, eu acredito que o mesmo Deus que me protegeu at hoje vai continuar me protegendo, afirma. Dayse conta que, nos primeiros dias fora da cadeia, seu marido parecia incomodado, um pouco assustado, ainda tentando se acostumar  sensao de liberdade.  ISTO o ex-policial revelou que passar o ms de setembro visitando parentes, a me e as filhas que moram em So Paulo.
 
O atual missionrio diz sonhar em viajar para pregar o Evangelho. Quer ser chamado pelo apelido de infncia, Bruno, sem a patente que lhe deu fama de Matador da Zona Sul. Ele se esquiva a falar desse passado, a no ser que seja por dinheiro. ISTO conversou rapidamente com Bruno, em duas ocasies  uma por telefone e outra na igreja. Nas duas oportunidades, ele afirmou que uma entrevista mais longa seria feita apenas sob remunerao, pois as anteriores apenas trouxeram prejuzo  sua imagem. Ele teria chegado a negociar com uma emissora de televiso, a quem pediu R$ 50 mil, de acordo com seu advogado Fbio Tondati Ferreira Jorge, mas a transao no foi adiante. O dinheiro resultante de uma entrevista seria usado para viagens missionrias e para se afastar de potenciais inimigos, como reiterou  ISTO sua mulher, Dayse. S vou me expor e dar uma entrevista se for remunerada. Por enquanto eu estou podendo andar sossegado, o que est saindo na televiso so fotos antigas, ento as pessoas no podem me identificar, afirma. Na quinta-feira 30, durante o culto em Taubat, ISTO fez a primeira imagem de Cabo Bruno aps sua liberdade.

SOBREVIVNCIA - No isolamento da priso, o ex-policial aprendeu a pintar e comeou a comercializar seus quadros, vendidos a R$ 1,5 mil cada. Entre seus clientes, juzes e promotores
 
Na priso, aps trs fugas, houve a declarada converso, a ponto de Cabo Bruno se tornar o capelo do presdio  o que explica sua presena no culto evanglico na noite da quinta-feira 30, uma de suas raras sadas  rua aps a liberdade. Depois de falar por 15 minutos, sob aplausos e salvas de Aleluia!, o ex-policial volta a se sentar, postura ereta, mo sobre mo. Um homem presente ao culto pede a palavra e o exorta a no se desviar do caminho da f. Quando a gente apaga algo que est escrito a lpis sempre deixa vestgios no caderno. Quando o sangue de Cristo passa por cima no fica vestgio nenhum, afirma o fiel. Bruno segura a mo da mulher com fora e parece chorar. Mantm-se nessa posio durante o restante da celebrao. Ao final, um dos presentes se ajoelha e pede que o ex-policial o abenoe. Ele segura a cabea do rapaz com fora e diz palavras em voz baixa, por dois minutos. Meu principal chamado  ser este pastor, eu sa da priso para isso, afirma  ISTO.
 
Entre 1983 e 1990, Cabo Bruno fugiu por trs vezes de penitencirias paulistas. Ficou detido em definitivo a partir de 1991. Desde ento, cumpriu ininterruptamente 21 anos de deteno, sendo os seis primeiros na Casa de Custdia de Taubat, em regime de isolamento dos outros presos. Neste perodo, sem direito a banho de sol por questes de segurana, ele aprendeu a pintar quadros de paisagismo, cujas vendas sustentavam sua famlia fora da priso. Agora em liberdade, o ex-policial quer continuar a pintar quadros. Famoso colecionador de obras de arte, o banqueiro Edemar Cid Ferreira, condenado por formao de quadrilha, lavagem de dinheiro e gesto fraudulenta por conta da quebra do Banco Santos, chegou a comprar dez obras de Cabo Bruno, no valor de R$ 1,5 mil cada. Juzes e promotores e outras autoridades tambm esto entre seus compradores. Mas s vou me dedicar a pintar nas horas vagas, diz ele.
 
Em 2009, Bruno passou para o regime semiaberto no P2 em Trememb, mas saiu apenas uma vez, durante o ltimo Dia do Pais, em 12 de agosto. No ltimo dia 21 de agosto, a juza Marise Terra Pinto Bourgogne de Almeida concedeu o indulto, com parecer favorvel do Ministrio Pblico. A libertao foi determinada com base no decreto 5.648/2011, da presidenta Dilma Rousseff, que prev a soltura de presos de bom comportamento que cumpriram mais de 20 anos da pena. Ele foi condenado a mais de 117 anos, dos quais cumpriu um total de 27, mas, pela lei, no deve mais nada  Justia brasileira. Apesar disso, ainda se debate com seu incmodo passado. O que marca minha vida e que eu no gosto  Cabo Bruno. Porque faz parte dos processos, dessa coisa jurdica. Cabo Bruno  uma coisa do passado, que para mim est morto. Essa histria est enterrada, diz o ex-policial.


6. GENTE
por Gisele Vitria com Bruna Narcizo, Simone Blanes e Thais Botelho 

NUDEZ SEM CRISE E UNHAS POR FAZER 
A espontaneidade da personagem Gabriela em cena serviu tambm para libertar a atriz Juliana Paes. Hoje vivo sem maquiagem, com as unhas por fazer. Vou buscar o Pedro na escola sem produo nenhuma, contou. Outro aprendizado da atriz foi em relao aos takes em que est nua. Vivencio a nudez de forma mais natural do que colocar um vestido e um sapato. Em cena, incorporei o jeito de Gabriela. Garota-propaganda da Hope, ela diz que calcinha e suti tm que ser confortveis, mas bonitos. s vezes at aposto em uma produo de lingerie. 


EMPRESRIO POPSTAR 
Flvio Rocha, presidente da rede Riachuelo, embarca em 19 de setembro para palestrar no World Retail Congress (Congresso Mundial de Varejo), em Londres, ao lado de CEOs da Sacks, Abercrombie&Fitch e do Walmart. Existe muito interesse no Brasil e nas nossas prticas de varejo, disse o empresrio. No ser sua primeira experincia discursando fora do Pas. Ex-deputado federal, Flvio participou do NFR (Federao Nacional do Varejo), em Nova York, em janeiro. Ele fez sucesso em Nova York, foi assediadssimo. At pensei: Nossa, sou casada com um popstar, brincou sua mulher, Ana Claudia Rocha. 
  
 
BALAS
 
Alexandre Birman  o novo proprietrio de um apartamento em Nova York. Na cidade para a inaugurao da loja Schutz em plena Madison Avenue, ele viajou com a esposa, Johanna, e a filha Olga, de quatro meses. O apartamento fica prximo ao Lincoln Center e ao Central Park. Alexandre escolheu a localizao porque costuma correr todos os dias de manh no parque.
 
Elis Regina perdeu para a Dana dos Famosos. Claudia Ohana no ser mais a cantora no teatro. Finalista da Dana dos Famosos, a atriz no tem conseguido vir para SP ensaiar o musical. A prioridade  da Globo. No tem como ela fugir, contou um amigo. Claudia ser substituda pela atriz Carol Bezerra.


BARRIGUINHA TOP 
Gisele Bndchen aproveitou a segunda-feira 3 em Boston, onde mora, para tomar sol na varanda de casa e exibiu a barriguinha de gravidez. Gisele espera seu segundo filho com o jogador de futebol americano Tom Brady, 35 anos, com quem est casada desde 2009. Eles so pais de Benjamin, 2 anos. A previso  que o beb, que ainda no tem o sexo confirmado, nasa entre novembro e dezembro.  


FBIO, O ESCRITOR 
Ator, diretor e agora escritor. Fbio Assuno vai escrever um livro sobre os bastidores de Adultrios, pea de Woody Allen, da qual  protagonista. Ele assume a nova faceta logo aps estrear como diretor e produtor da pea O Expresso do Pr do Sol, em cartaz at 30 de novembro em So Paulo. Far o livro com o diretor de teatro Maurcio Nunes.


BRUNELLO DE GALVO 
Aps se lanar como produtor de vinhos no Brasil, Galvo Bueno pretende alar voos mais altos. O narrador deseja comprar um vinhedo na comuna italiana de Montalcino, na Toscana, e realizar seu sonho de ter um Brunello di Montalcino com o seu nome. Com denominao de origem controlada, o vinho tinto s pode ser produzido na regio italiana. Galvo j viu algumas propriedades, mas ainda no se decidiu. A compra deve ser feita at meados de 2013. Um Brunello pode custar de R$ 300 a R$ 1.700.


SEXO TRS VEZES AO DIA
Agora entre as mais sexy do ranking do site americano Models.com, a top brasileira Las Ribeiro abusa do sex-appeal em casa. Ela conta que  difcil segurar o cime do namorado, o espanhol Adrian Cardoso. Talvez o fato de eu desfilar de lingerie potencialize esse cime, conta ela. Mas nada que ponha em risco o relacionamento de dois anos. Moramos juntos em Nova York. Temos uma qumica quente, a ponto de transar trs vezes por dia. A angel da Victorias Secret fez a nova campanha da grife Lilly Sarti, com direo criativa de Luis Fiod.


HOTEL FASANO NA 5 AVENIDA 
Zeco Auriemo, da incorporadora JHSF, que alm do Shopping Cidade Jardim  scio do Hotel Fasano, vai seguir a tendncia de exportao do conceito de luxo brasileiro. A empresa tem uma rea na 5 Avenida prxima ao Central Park. O grupo ainda estuda as possibilidades da regio, mas a ideia  construir um hotel butique com a marca Fasano na Big Apple.  

